Como entender o que acontece no mundo da música em algumas regiões do nosso país? Pergunta estranha? É. Talvez, possa até ter se passado na sua cabeça o porquê dessa pergunta. Mas, é assim mesmo, estranho, o que não acontece e o que acontece, pode ser chamado de preconceito, ou exclusão de uma determinada categoria, ou tipos de artistas, seja lá o que for... Mas, é verdade, também acontece no mundo da música, com os melhores artistas (e os piores também). Voltando com o primordial significado deste humilde e recém nascido BLOG, quero “musiciar” (ou musicar) à consciência de pessoas que gostam, ou querem o bem, ou ainda por cima, se propõe a ajudar.
Vou explicar um pequeno caso. No Brasil, músicos, cantores e interpretes (a grande massa de músicos brasileiros) não podem se apresentar em bares, casas noturna, locais de eventos, etc. Sem ter o que é denominado “Carteira Profissional de Músico”. Pois, o existe uma lei de direito autorais que não permite que músicos não credenciados executem músicas de outros artistas (ou seja, “covers”), com risco de pena de multa por parte dos músicos e donos dos estabelecimentos. Então, até a alguns dias atrás, os músicos do Estado de São Paulo conquistaram, o que podemos dizer, uma vitória na vida profissional dos músicos brasileiros, o que implica na não obrigatoriedade da apresentação da carteira profissional aos fiscais do ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), órgão responsável pela arrecadação e fiscalização dos direitos autorais, nas apresentações que os mesmo estiverem em pratica. Mas isso é muito pouco, como se fossem 0,01% do que pode ser feito no restante do país. Bom, isto é só explicando um pouco da nossa vida e da luta. Nós, meros humanos que fazemos de tudo para animar, alegrar um evento, tendo que sorrir para o publico mesmo que possamos estar com uma unha encravada, dor de barriga, com fome, vontade de urinar, em crise pessoal, emocional, etc...
É. Não é fácil! E eu digo por mim mesmo. Cidade de Marabá, Pará. Uma grande cidade em uma região metropolitana do sudeste do estado. Mais de 200 mil habitantes (fluxo diário de mais de 400 mil pessoas) - fonte IBGE 2009, concorrente a possível capital do novo estado de Carajás. Eu, músico há quase 10 anos, morando a mais de 20 anos aqui, vi pouco acontecer, não por pouca experiência, e sim, por pouco incentivos em volta disso. Começo por um ponto que (sendo o único) influencia não só uma parte, e sim um “todo” da cultura local. Órgãos públicos que ajudam (ou pelo menos deveriam) com incentivos a cultura, como “Secretaria de cultura”, “Secretaria de Desporto e turismo”, etc. Como de praxe prometem incentivos aos músicos da região, “artistas da terra” como costumam chamar (minhocas melhor dizendo), prometem recursos para melhorar os eventos locais, estruturar os grupos artísticos locais, organizar as movimentações culturais. Um belo discurso de começo. Mas, e daí? Você que veio a este humilde blog me pergunta (novamente). O que vem ao caso é que isso não acontece!
O caso. Continuamos na mesma “M....” correndo atrás com as próprias pernas, procurando incentivos (patrocínios) “dando a cara à tapa”. E quando nos direcionamos aos responsáveis pela infra-estrutura cultural da cidade, o que nos dão como resposta é: “Nós não temos dinheiro”. Mas como? Por quê? Se no aniversario da cidade trouxeram uma “atração nacional” cujo “(...) recurso para a realização do show foi proveniente de emenda parlamentar do deputado federal Asdrúbal Bentes (PMDB-PA). O aporte financeiro também viabilizou a apresentação de outra banda, no dia 03, na semana de aniversário da cidade. E está previsto, ainda, aplicação de parte do recurso para trazer atrações de peso para o festejo junino, também organizado pela Secretaria de Cultura.”. Trecho retirado do próprio site da prefeitura municipal da cidade de Marabá.
A festa. Mal organizada, mal projetada, pessoas se esmagando para ver a “atração”, o som de péssima qualidade... Mas eu aposto meu humilde cachê, que no final do show receberam direitinho. Enquanto temos que participar das “panelinhas”, para fazermos parte das atrações locais, para nos apresentar com o tempo restrito, sem um roteiro certo, uma verdadeira humilhação e por fim, recebermos um valor simbólico, esperar quase um mês, para termos um cheque em mãos, e quem sabe, em quinze dias descontar. Como acontece na maioria das estruturas de governo desse País, que nos dá tanto orgulho! Isso é muito pouco do que realmente acontece aqui, em uma pequena parte da região norte do País. Ouço falar de incentivos reais em outras regiões, capitais e até interiores dos Estados. Em grupos e músicos profissionais, que conseguiram apoio para montar seus negócios, investirem em suas carreiras, etc. Todas as massas, todas as áreas de empreendimento, todos os negócios precisam de incentivos. Para poderem trabalhar e conseguirem o seu espaço no mercado de trabalho. Mas sozinho isso não vem tão cedo. Deixo aqui minha fagulha de revolta, meu grito de protesto para quem sabe alguém ouvir. Ah! E não é “ajuda”, se diz “apoio”.
A festa. Mal organizada, mal projetada, pessoas se esmagando para ver a “atração”, o som de péssima qualidade... Mas eu aposto meu humilde cachê, que no final do show receberam direitinho. Enquanto temos que participar das “panelinhas”, para fazermos parte das atrações locais, para nos apresentar com o tempo restrito, sem um roteiro certo, uma verdadeira humilhação e por fim, recebermos um valor simbólico, esperar quase um mês, para termos um cheque em mãos, e quem sabe, em quinze dias descontar. Como acontece na maioria das estruturas de governo desse País, que nos dá tanto orgulho! Isso é muito pouco do que realmente acontece aqui, em uma pequena parte da região norte do País. Ouço falar de incentivos reais em outras regiões, capitais e até interiores dos Estados. Em grupos e músicos profissionais, que conseguiram apoio para montar seus negócios, investirem em suas carreiras, etc. Todas as massas, todas as áreas de empreendimento, todos os negócios precisam de incentivos. Para poderem trabalhar e conseguirem o seu espaço no mercado de trabalho. Mas sozinho isso não vem tão cedo. Deixo aqui minha fagulha de revolta, meu grito de protesto para quem sabe alguém ouvir. Ah! E não é “ajuda”, se diz “apoio”.
Itair Rodrigues.
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